Alumínio é um dos poucos materiais que podem ser reciclados infinitamente sem perda de qualidade
Nos meses de junho e julho, as cidades do Cariri se transformam em importantes centros de lazer, consumo e negócios do Nordeste, com a realização de eventos como Expocrato, Juáforró e a Festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio. Em meio à intensa movimentação de visitantes e consumo de bebidas, principalmente em latas de alumínio, uma ação sustentável ganha destaque: a atuação dos catadores de materiais recicláveis.
Para esses trabalhadores, a latinha de alumínio é um dos itens mais preciosos dos resíduos coletados. Segundo Francisco Inocêncio, que atua como catador de resíduos, o quilo do alumínio está sendo comercializado a R$6,50, representando uma fonte de renda importante para trabalhadores que atuam na área. “A latinha é ouro pra gente. De todo material que pegamos, ela é a que dá mais lucro”, destaca.
O ciclo de reciclagem da latinha
Após o consumo, as latas de alumínio podem ser entregues nas recicladoras e, também, para catadores e catadoras, para que tenham destinação ambientalmente adequada. No entanto, a maioria dos resíduos nos eventos acabam sendo descartados no chão.
Durante a Expocrato, por exemplo, após recolher o material, os catadores faziam a separação e, ao fim do dia, vendiam para a Associação de Agentes Recicladores do Crato (AARC). O valor arrecadado era dividido entre os catadores. A associação, por sua vez, destina o material para ser prensado, agrupado em fardos e enviado para fundições, onde é derretido e transformado em lingotes. Esses lingotes são laminados em bobinas que darão origem a novas latas, reiniciando o ciclo.
Cada tonelada de alumínio reciclado evita a extração de 5 toneladas de bauxita, um minério abundante no Brasil. Com um consumo médio nacional de 51 latas por habitante ao ano, o potencial de reaproveitamento é enorme.

A reciclagem do alumínio
O alumínio é um dos poucos materiais que podem ser reciclados infinitamente, sem perda de qualidade. No Brasil, cerca de 98,7% das latas de alumínio para bebidas são recicladas, segundo a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), colocando o país entre os líderes mundiais nesse tipo de reaproveitamento. Em 60 dias, uma lata pode retornar às prateleiras, pronta para ser reutilizada.
Além de evitar que o alumínio leve mais de 100 anos para se decompor na natureza, a reciclagem traz ganhos energéticos expressivos: produzir alumínio reciclado consome somente 5% da energia necessária para extrair o metal da bauxita. Isso representa uma economia suficiente para abastecer 48 residências com energia elétrica.
Transformação local com impacto social
A Regenera Cariri atua na região com foco na conscientização ambiental, apoio à coleta seletiva e valorização dos catadores. Na Expocrato 2025, a concessionária contratou sete catadores para atuarem no evento, conscientizando a população e coletando os materiais recicláveis para serem vendidos e encaminhados para reciclagem. O descarte correto de resíduos pode ser transformado em oportunidade de renda aos catadores e conscientização ambiental para sociedade. Ao integrar os catadores ao evento, a iniciativa fortalece a economia circular e promove a inclusão social.

Sobre a Regenera Cariri
A Regenera Cariri será responsável pela gestão e tratamento dos resíduos sólidos urbanos em nove cidades da região. As prefeituras de cada município seguirão responsáveis pela coleta de resíduos. A gestão correta dos resíduos vai contribuir para a preservação ambiental, em especial das fontes de águas subterrâneas; além de ampliar o potencial de geração de renda dos catadores, que poderão ter, ainda, melhores condições de saúde e segurança na atividade.